terça-feira, 20 de setembro de 2011

Como interpretar o 1Coríntios 14:34:


“As mulheres estejam caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar, mas estejam submissas como também ordena a lei.” Será que Paulo proíbe as mulheres de falarem na Igreja?
Será que a Bíblia ensina que as mulheres não podem falar na Igreja? Como explicar isto?
Contexto da Época:

As mulheres eram tidas em baixa conta entre o povo judeu.
Diz o comentarista Russeli Champlim, que as mulheres naquela época, eram proibidas de freqüentar escolas de Teologia. Os rabinos afirmavam: “É preferível queimar a lei do que ensiná-la a uma mulher.”

Era costume dos gregos e dos judeus, determinar que a mulher permanecesse em segundo plano nos afazeres públicos. Era ordenança judaica, que as mulheres não pudessem falar nas assembléias, e nem mesmo fazerem perguntas. Um escravo do sexo masculino poderia ler, mas a mulher não.

A Bíblia apresenta o menosprezo da sociedade de então ao sexo feminino, quando se fazia um censo, ou a contagem de um povo, onde só eram contados os homens e não se incluíam mulheres nem crianças.

As genealogias não mencionam o nome das mulheres com a mesma freqüência que menciona os dos homens.

Um exemplo mais: Quando Maria Madalena foi apanhada em adultério, porque os homens só levaram a mulher e não o homem que estava com ela, que também era um adúltero? Isto demonstra a sociedade machista, e o descaso com a mulher.
O próprio divórcio, naquele tempo, se dava por qualquer problema, se a mulher queimasse o pão, ou não cumprisse com as expectativas do marido.

Dizem alguns comentaristas, que as mulheres naquele contexto, eram tidas em tão baixa estima, que o judeu tinha uma oração que era mais ou menos assim: “Obrigado Senhor, porque não nasci camelo, nem mulher e nem samaritano”.

Nesse contexto, Paulo realmente declarou que uma mulher não deveria falar na Igreja, pois o cristianismo, que estava sendo difundido, não podia cair em descrédito, sendo divulgado por mulheres que não tinham o respaldo necessário da sociedade.

Paulo realmente quis dizer o que está escrito, mas exclusivamente para a sua época e para o seu contexto.

É importante destacar, que a igreja cristã não surgiu para produzir um revolução social, mas sim uma transformação espiritual pelo poder de Deus. As mudanças sociais deveriam surgir como conseqüência natural das transformações espirituais nos indivíduos que aceitassem a Cristo.

Como posso diferenciar o que Paulo disse para sua época, e o que é para nós hoje? Olhando o Contexto da Bíblia.

Existe uma harmonia na Bíblia. Isaías escreveu: “Um pouco aqui um pouco ali”.
As verdades fundamentais da Bíblia, não estão isoladas e únicas, elas se completam, se reafirmam de outras formas e em outros contextos.

E qual é o contexto da mulher na Bíblia então?
Inicialmente foi criada para estar ao lado do homem, porém, após o pecado houve inimizade e esta ficou sujeita a seu marido. Isto não significa que ela ficou esquecida e muito menos desprezada, pois a Bíblia dá exemplos da importância da mulher, e como o homem deve respeitá-la.

A Bíblia registra mulheres que foram relevantes na sociedade, pela escolha Divina, como as profetisas: Hilda, Débora, Miriã, as 4 filhas de Felipe, e ainda a importância das mesmas como mães, como foi a mãe de Moisés, mãe de João Batista, de Jesus, etc.

O próprio Jesus restabeleceu o lugar da mulher na sociedade, pois em diversos momentos foi criticado por quebrar barreiras da época: quando conversou com uma mulher samaritana junto ao poço de Jacó; quando permitiu que seus pés fossem lavados com perfume caríssimo num banquete; quando perdoou a uma mulher adúltera, etc.

Logo, temos que deixar claro, a diferença entre um “Assim diz o Senhor” e o que Paulo falou para o seu público da época.

No último capítulo do livro de Provérbios, o sábio Salomão descreve o valor da mulher virtuosa, que o “seu valor muito excede ao de jóias preciosas”. Provérbios 31:10.

Concluindo, podemos afirmar que Paulo não sabia e nem imaginava o potencial das mulheres. Sua época não permitia pensar corretamente neste particular.

Hoje, porém, a maior igreja do mundo, a de Paul Yang Choo, é um sucesso devido aos grupos familiares, que os homens não conseguiram liderar com êxito e sim as mulheres.

Portanto quase que 100% das igrejas cristãs, aceitam o fato de as mulheres participarem em suas atividades.


Em Criança



A infância e juventude de Jesus foram passadas numa pequenina aldeia montanhesa. Não haveria lugar na Terra que não se tivesse honrado por Sua presença. Os palácios reais ter-se-iam sentido privilegiados em O receber como hóspede. Mas Ele passou pelos lares afortunados, pelas cortes da realeza e pelas famosas sedes do saber, para fazer de Seu lar a obscura e desprezada Nazaré.
Maravilhoso em sua significação é o breve relatório da primeira parte de Sua vida: "E o Menino crescia e Se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre Ele." Luc. 2:40.
À luz da presença de Seu Pai, crescia "Jesus em sabedoria e em estatura, e em graça para com Deus e os homens". Luc. 2:52. Seu espírito era ativo e penetrante, com uma reflexão e sabedoria além de Sua idade. Também o caráter era belo na harmonia que apresentava. As faculdades da mente e do corpo desenvolviam-se gradualmente, segundo as leis da infância.
Jesus revelava, como criança, disposição singularmente amável. Aquelas mãos cheias de boa vontade estavam sempre prontas para servir a outros. Manifestava uma paciência que coisa alguma conseguia perturbar, e uma veracidade nunca disposta a sacrificar a integridade. Firme como a rocha em questões de princípios, Sua vida revelava a graça da abnegada cortesia.
Com profunda solicitude observava a mãe de Jesus o desenvolvimento das faculdades da Criança, e contemplava o cunho de perfeição em Seu caráter. Era com deleite que procurava animar aquele espírito inteligente, de fácil apreensão. Por meio do Espírito Santo recebia sabedoria para cooperar com os instrumentos celestiais, no desenvolvimento dessa Criança que só tinha a Deus por Pai.
Desde os primitivos tempos, os fiéis em Israel haviam dado muita atenção à educação da juventude. O Senhor dera instruções quanto a ensinar-se as crianças desde a mais tenra idade, acerca de Sua bondade e grandeza, especialmente segundo estas se revelam em Sua lei, e se demonstram na história de Israel. Cânticos, orações e lições das Escrituras deviam ser adaptados à mente que se ia abrindo. Os pais e mães deviam instruir os filhos em que a lei de Deus é a expressão de Seu caráter, e que, ao receberem os princípios da lei no coração, a Sua imagem era gravada no espírito e na alma. Muito do ensino era feito oralmente; mas os jovens aprendiam também a ler os escritos dos hebreus, e os rolos de pergaminho das Escrituras do Antigo Testamento eram franqueados a seu estudo.
Ao tempo de Cristo, a vila ou cidade que não providenciava quanto à instrução religiosa da mocidade, era considerada sob a maldição de Deus. Todavia, o ensino se tornara formal. A tradição havia em alto grau sobrepujado as Escrituras. A verdadeira educação teria levado os jovens a "que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, O pudessem achar". Atos 17:27. Mas os mestres judeus davam atenção a questões cerimoniais. A mente era sobrecarregada com matéria sem valor para o que a aprendia, e que não seria reconhecida na escola superior das cortes do alto. A experiência obtida mediante a aceitação individual da Palavra de Deus, não tinha lugar no sistema educativo. Absorvido na rotina das coisas exteriores, o estudante não encontrava horas de sossego para estar com Deus. Não Lhe escutava a voz falando ao coração. Em sua procura de conhecimentos, desviava-se da Fonte de sabedoria. Os grandes elementos do serviço de Deus eram negligenciados, obscurecidos os princípios da lei. O que se considerava como educação superior constituía o maior obstáculo ao verdadeiro desenvolvimento. Sob a influência dos rabis, as faculdades dos jovens eram reprimidas. Seu espírito se tornava constrangido e estreito.
O menino Jesus não Se instruía nas escolas das sinagogas. Sua mãe foi Seu primeiro mestre humano. Dos lábios dela e dos rolos dos profetas, aprendeu as coisas celestiais. As próprias palavras por Ele ditas a Moisés para Israel, eram-Lhe agora ensinadas aos joelhos de Sua mãe. Ao avançar da infância para a juventude, não procurou as escolas dos rabis. Não necessitava da educação obtida de tais fontes; pois Deus Lhe servia de instrutor.
A pergunta feita durante o ministério do Salvador: "Como sabe Este letras, não as tendo aprendido?" (João 7:15) não quer dizer que Jesus não soubesse ler, mas simplesmente que não recebera instrução dos rabinos. Uma vez que Ele obteve conhecimento como o podemos fazer, Sua familiarização com as Escrituras mostra quão diligentemente os primeiros anos de Sua vida foram consagrados ao estudo da Palavra de Deus. E perante Ele estendia-se a grande biblioteca das obras criadas por Deus. Aquele que fizera todas as coisas, estudou as lições que Sua própria mão escrevera na Terra e no mar e no céu. Desviados dos profanos métodos do mundo, adquiriu da natureza acumulados conhecimentos científicos. Estudava a vida das plantas e dos animais bem como a dos homens. Desde a mais tenra idade, possuía-O um único desígnio: vivia para beneficiar os outros. Para isso encontrava recursos na natureza; novas idéias de meios e modos brotavam-Lhe na mente, ao estudar a vida das plantas e dos animais. Procurava continuamente tirar, das coisas visíveis, ilustrações pelas quais pudesse apresentar os vivos oráculos de Deus. As parábolas pelas quais, durante Seu ministério, gostava de ensinar lições acerca da verdade, mostram quão aberto Lhe estava o espírito às influências da natureza, e como colhera do ambiente que O cercava na vida diária, os ensinos espirituais.
Assim se revelava a Jesus o significado da palavra e das obras de Deus, ao buscar compreender a razão das coisas. Os seres celestiais serviam-Lhe de assistentes, e cultivava santos pensamentos e comunhão. Desde os primeiros clarões da inteligência, foi sempre crescendo em graça espiritual e no conhecimento da verdade.
Toda criança pode adquirir conhecimento como Jesus o adquiriu. Ao procurarmos relacionar-nos com nosso Pai celestial através de Sua Palavra, anjos se achegarão a nós, nossa mente será fortalecida, nosso caráter elevado e apurado. Tornar-nos-emos mais semelhantes a nosso Salvador. E, ao contemplarmos o que é belo e grande na natureza, nossas afeições crescem para com Deus. Ao mesmo tempo que o espírito se enche de reverente respeito, a alma se fortalece ao pôr-se em contato com o Infinitopor meio de Suas obras. A comunhão com Deus, mediante a oração, desenvolve as faculdades mentais e morais, e as espirituais se robustecem ao cultivarmos pensamentos sobre assuntos espirituais.
A vida de Jesus estava em harmonia com Deus. Enquanto criança, pensava e falava como criança; mas nenhum traço de pecado desfigurava nEle a imagem divina. Não ficou, no entanto, isento de tentação. Os habitantes de Nazaré eram proverbiais por sua impiedade. O mau conceito em que eram geralmente tidos, revela-se na pergunta de Natanael: "Pode vir alguma coisa boa de Nazaré"? João 1:46. Jesus foi colocado num lugar em que Seu caráter seria provado. Era-Lhe necessário estar sempre em guarda, a fim de conservar Sua pureza. Estava sujeito a todos os conflitos que nós outros temos de enfrentar, para que nos pudesse servir de exemplo na infância, na juventude, na idade varonil.
Satanás era infatigável em seus esforços para vencer a Criança de Nazaré. Desde Seus primeiros anos Jesus era guardado por anjos celestiais, todavia Sua vida foi uma longa luta contra os poderes das trevas. Que houvesse de existir na Terra uma vida isenta da contaminação do mal, era uma ofensa e perplexidade para o príncipe das trevas. Não houve meio que não tentasse para enredar Jesus. Nenhum dos filhos dos homens será jamais chamado a viver uma vida santa em meio de tão renhido conflito com a tentação como nosso Salvador.
Os pais de Jesus eram pobres, e dependentes de sua tarefa diária. Ele estava familiarizado com a pobreza, a abnegação, as privações. Essa experiência serviu-Lhe de salvaguarda. Em Sua laboriosa vida não havia momentos ociosos para convidar a tentação. Nenhuma hora vaga abria a porta às companhias corruptoras. Tanto quanto possível, cerrava a porta ao tentador. Ganho ou prazer, aplauso ou reprovação, não O podiam levar a condescender com uma ação má. Era prudente para discernir o mal, e forte para a ele resistir.
Foi Cristo o único Ser livre de pecado, que já existiu na Terra; todavia, viveu por quase trinta anos entre os ímpios habitantes de Nazaré. Este fato é uma repreensão aos que fazem depender de lugar, fortuna ou prosperidade o viver uma vida irrepreensível. Tentação, pobreza, adversidade, eis justamente a disciplina necessária para o desenvolvimento da pureza e firmeza.
Jesus viveu num lar de camponeses, e desempenhou fiel e alegremente Sua parte em suportar as responsabilidades da vida doméstica. Fora o Comandante do Céu, e anjos se tinham deleitado em Lhe cumprir as ordens; era agora um voluntário Servo, um Filho amorável e obediente. Aprendeu um ofício, e trabalhava com as próprias mãos na oficina de carpintaria de José. Nos simples trajes de operário comum, caminhava pelas ruas da pequenina cidade, indo e voltando em Seu humilde labor. Não empregava o poder divino de que dispunha para aliviar os próprios fardos ou diminuir a própria lida.
À medida que Jesus trabalhava na infância e na juventude, mente e físico se Lhe desenvolviam. Não empregava descuidadamente as forças físicas, mas de maneira a conservá-las sãs, a fim de fazer o melhor trabalho possível em todos os sentidos. Não queria ser deficiente, nem mesmo no manejo dos instrumentos de trabalho. Era perfeito como operário, da mesma maneira que o era no caráter. Pelo exemplo, ensinou que nos cumpre ser industriosos, que nosso trabalho deve ser executado com exatidão e esmero, tornando-se assim honroso. O exercício que ensina as mãos a serem úteis, e educa os jovens em fazer sua parte quanto às responsabilidades da vida, comunica robustez física, e desenvolve todas as faculdades. Todos devem procurar fazer alguma coisa que lhes seja útil, ou de auxílio a outros. Deus designou o trabalho como uma bênção, e somente o trabalhador diligente encontra a verdadeira glória e alegria da vida. A aprovação de Deus repousa com amável confiança sobre as crianças e jovens que desempenham alegremente sua parte nos deveres da família, partilhando as responsabilidades do pai e da mãe. Tais filhos sairão de casa para ser úteis membros da sociedade.
Através de Sua existência terrestre, Jesus foi um ativo e constante trabalhador. Esperava muito resultado; muito empreendia, portanto. Depois de iniciar o ministério, disse: "Convém que Eu faça as obras dAquele que Me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar." João 9:4. Jesus não Se esquivava a cuidados e responsabilidades, como fazem muitos que professam ser Seus seguidores. É porque procuram furtar-se a essa disciplina que tantos são fracos e ineficientes. Podem possuir preciosos e amáveis traços, mas são sem fibra e quase inúteis quando há dificuldade a enfrentar e obstáculos a transpor. A positividade e energia, a solidez e resistência de caráter manifestadas em Cristo, tem de se desenvolver em nós, mediante a mesma disciplina que Ele suportou. E caber-nos-á a mesma graça por Ele recebida.
Enquanto viveu entre os homens, nosso Salvador participou da sorte dos pobres. Conhecia por experiência seus cuidados e asperezas, e podia confortar e animar a todos os humildes obreiros. Os que possuem verdadeira concepção dos ensinos de Sua vida, não pensarão nunca que se deva fazer distinção de classes, que os ricos devam ser honrados de preferência aos pobres dignos.
Jesus punha em Seu trabalho alegria e tato. Muita paciência e espiritualidade se requerem para introduzir a religião bíblica na vida familiar e na oficina, suportar a tensão dos negócios do mundo, e todavia conservar as vistas unicamente voltadas para a glória de Deus. Aí é que Jesus foi um auxiliador. Nunca estava tão cheio de cuidados do mundo que não tivesse tempo para pensar nas coisas de cima. Exprimia freqüentemente o contentamento que Lhe ia no coração, cantando salmos e hinos celestiais. Muitas vezes ouviam os moradores de Nazaré Sua voz erguer-se em louvor e ações de graças a Deus. Entretinha em cânticos comunhão com o Céu; e quando os companheiros se queixavam da fadiga do trabalho, eram animados pela doce melodia de Seus lábios. Dir-se-ia que Seu louvor banisse os anjos maus, e, como incenso, enchesse de fragrância o lugar em que Se achava. O espírito dos ouvintes era afastado de seu terreno exílio, para o lar celestial.
Jesus era fonte de vivificante misericórdia para o mundo; e durante todos aqueles retirados anos de Nazaré, Sua vida fluía em correntes de simpatia e ternura. Os velhos, os sofredores, os oprimidos de pecado, as crianças a brincar em sua inocente alegria, as criaturas dos bosques, os pacientes animais de carga - todos se sentiam mais felizes por Sua presença. Aquele cuja palavra poderosa sustinha os mundos, detinha-Se para aliviar um pássaro ferido. Nada havia para Ele indigno de Sua atenção, coisa alguma a que desdenhasse prestar auxílio.
Assim, à medida que Se desenvolvia em sabedoria e estatura, crescia Jesus em graça para com Deus e os homens. Atraía a simpatia de todos os corações, mediante a capacidade que revelava de Se compadecer de todos. A atmosfera de esperança e valor que O circundava, tornava-O uma bênção em todo lar. Muitas vezes na sinagoga, aos sábados, era convidado para ler a lição dos profetas, e o coração dos ouvintes fremia, pois nova luz brilhava nas palavras familiares dos textos sagrados.
Não obstante, Jesus fugia à ostentação. Durante todos os anos de Sua residência em Nazaré, não fez exibição de Seu miraculoso poder. Não buscou altas posições, nem pretendeu nenhum título. Sua vida quieta e simples, e mesmo o silêncio das Escrituras a respeito dos primeiros anos de Sua vida, ensinam importante lição. Quanto mais simples e tranqüila a vida de uma criança - quanto mais livre de estimulação artificial e quanto mais em harmonia com a natureza - tanto mais favorável é ela ao vigor físico e mental, e à robustez espiritual.
Jesus é nosso exemplo. Muitos há que se detêm com interesse sobre o período de Seu ministério público, enquanto passam por alto os ensinos de Seus primeiros anos. É, porém, na vida doméstica que Ele é o modelo de todas as crianças e jovens. O Salvador condescendeu em ser pobre, para poder ensinar quão intimamente podemos nós, em uma vida humilde, andar com Deus. Viveu para agradar, honrar e glorificar o Pai nas coisas comuns da vida. Sua obra começou por consagrar o humilde ofício do operário que labuta para ganhar o pão cotidiano. Quando trabalhava ao banco de carpinteiro, fazia tanto a obra de Deus, como quando operava milagres em favor da multidão. E todo jovem que segue o exemplo de Cristo na fidelidade e obediência em Seu humilde lar, pode reclamar aquelas palavras proferidas a respeito dEle, pelo Pai, por intermédio do Espírito Santo: "Eis aqui o Meu Servo a quem sustenho, o Meu Eleito, em quem se compraz a Minha alma." Isa. 42:1.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

"Vimos a Sua Estrela"



"Tendo nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do Oriente a Jerusalém, dizendo: Onde está Aquele que é nascido rei dos judeus? porque vimos a Sua estrela no Oriente, e viemos a adorá-Lo." Mat. 2:1 e 2.
Os magos do Oriente eram filósofos. Faziam parte de uma grande e influente classe que incluía homens de nobre nascimento, bem como muitos dos ricos e sábios de sua nação. Entre estes se achavam muitos que abusavam da credulidade do povo. Outros eram homens justos, que estudavam as indicações da Providência na natureza, sendo honrados por sua integridade e sabedoria. Desses eram os magos que foram em busca de Jesus.
A luz de Deus está sempre brilhando entre as trevas do paganismo. Ao estudarem esses magos o céu estrelado, procurando sondar os mistérios ocultos em seus luminosos caminhos, viram a glória do Criador. Buscando mais claro entendimento, voltaram-se para as Escrituras dos hebreus. Guardados como tesouro havia, em sua própria terra, escritos proféticos, que prediziam a vinda de um mestre divino. Balaão pertencia aos magos, conquanto fosse em tempos profeta de Deus; pelo Espírito Santo predissera a prosperidade de Israel, e o aparecimento do Messias; e suas profecias haviam sido conservadas, de século em século, pela tradição. No Antigo Testamento, porém, a vinda do Salvador era mais claramente revelada. Os magos souberam, com alegria, que Seu advento estava próximo, e que todo o mundo se encheria do conhecimento da glória do Senhor.
Viram os magos uma luz misteriosa nos céus, naquela noite em que a glória de Deus inundara as colinas de Belém. Ao dissipar-se a luz, surgiu uma luminosa estrela que permaneceu no céu. Não era uma estrela fixa, nem um planeta, e o fenômeno despertou o mais vivo interesse. Aquela estrela era um longínquo grupo de anjos resplandecentes, mas isso os sábios ignoravam. Tiveram, todavia, a impressão de que aquela estrela tinha para eles significado especial. Consultaram sacerdotes e filósofos, e examinaram os rolos dos antigos registros. A profecia de Balaão declarara: "Uma Estrela procederá de Jacó e um cetro subirá de Israel." Núm. 24:17. Teria acaso sido enviada essa singular estrela como precursora do Prometido? Os magos acolheram com agrado a luz da verdade enviada pelo Céu; agora era sobre eles derramada em mais luminosos raios. Foram instruídos em sonhos a ir em busca do recém-nascido Príncipe.
Como Abraão, pela fé, saíra em obediência ao chamado de Deus, "sem saber para onde ia" (Heb. 11:8); como, pela fé Israel seguira a coluna de nuvem até à terra prometida, assim esses gentios saíram à procura do prometido Salvador. Esse país oriental era rico em coisas preciosas, e os magos não se puseram a caminho de mãos vazias. Era costume, a príncipes ou outras personagens de categoria, oferecer presentes como ato de homenagem, e os mais ricos dons proporcionados por aquela região foram levados em oferta Àquele em quem haviam de ser benditas todas as famílias da Terra. Era necessário viajar de noite, a fim de não perderem de vista a estrela; mas os viajantes entretinham as horas proferindo ditos tradicionais e profecias a respeito dAquele a quem buscavam. Em toda parada que faziam para repouso, examinavam as profecias; e neles se aprofundava a convicção de que eram divinamente guiados. Enquanto, como sinal exterior, tinham diante de si a estrela, sentiam interiormente o testemunho do Espírito Santo, que lhes impressionava o coração, inspirando-lhes também esperança. Se bem que longa, a viagem foi feita com alegria.
Chegam à terra de Israel, e descem o monte das Oliveiras, tendo à vista Jerusalém, quando eis que a estrela que lhes servira de guia por todo o fatigante caminho detém-se por sobre o templo, desvanecendo-se, depois de algum tempo, aos seus olhos. Ansiosos, dirigem os passos para diante, esperando confiantemente que o nascimento do Messias fosse o jubiloso assunto de todas as bocas. São, porém, vãs suas pesquisas. Entretanto na santa cidade, dirigem-se ao templo. Para seu espanto, não encontram ninguém que parecesse saber do recém-nascido Rei. Suas perguntas não despertavam expressões de alegria, mas antes de surpresa e temor, não isentos de desprezo.
Os sacerdotes repetem as tradições. Exaltam sua própria religião e piedade, ao passo que acusam os gregos e romanos como maiores pagãos e pecadores que todos os outros. Os magos não são idólatras, e aos olhos de Deus ocupam lugar muito acima desses, Seus professos adoradores; todavia, são considerados pelos judeus como gentios. Mesmo entre os designados depositários dos Santos Oráculos, suas ansiosas perguntas não fazem vibrar nenhuma corda de simpatia.
A chegada dos magos foi prontamente divulgada por toda Jerusalém. Sua estranha mensagem criou entre o povo uma agitação que penetrou no palácio do rei Herodes. O astuto edomita foi despertado ante a notícia de um possível rival. Inúmeros assassínios lhe haviam manchado o caminho ao trono. Sendo de sangue estrangeiro, era odiado pelo povo sobre quem governava. Sua única segurança era o favor de Roma. Esse novo Príncipe, no entanto, tinha mais elevado título. Nascera para o reino.
Herodes suspeitou que os sacerdotes estivessem tramando com os estrangeiros para despertar um tumulto popular, destronando-o. Ocultou, no entanto, sua desconfiança, decidido a malograr-lhes os planos por maior astúcia. Convocando os principais dos sacerdotes e os escribas, interrogou-os quanto aos ensinos dos livros sagrados com relação ao lugar do nascimento do Messias.
Essa indagação do usurpador do trono, e o ser feita a instâncias de estrangeiros, espicaçou o orgulho dos mestres judeus. A indiferença com que se voltaram para os rolos da profecia, irritou o ciumento tirano. Julgou que estavam buscando ocultar seu conhecimento do assunto. Com uma autoridade que não ousaram desatender, ordenou-lhes que fizessem atenta investigação e declarassem o lugar do nascimento do esperado Rei. "E eles lhe disseram: Em Belém de Judéia; porque assim está escrito pelo profeta:

"E tu Belém, terra de Judá,
de modo nenhum és a menor entre as capitais de Judá;
porque de ti sairá o Guia
que há de apascentar Meu povo de Israel." Mat. 2:6.

Herodes convidou então os magos a uma entrevista particular. Rugia-lhe no coração uma tempestade de ira e temor, mas manteve um exterior sereno, e recebeu cortesmente os estrangeiros. Indagou em que tempo aparecera a estrela, e professou saudar com alegria a notícia do nascimento de Cristo. Pediu a seus hóspedes: "Perguntai diligentemente pelo Menino, e quando O achardes, participai-mo, para que também eu vá e O adore." Assim falando, despediu-os, para que seguissem seu caminho a Belém.
Os sacerdotes e anciãos de Jerusalém não eram tão ignorantes a respeito do nascimento de Cristo como se faziam. A notícia da visita dos anjos aos pastores fora levada a Jerusalém, mas os rabis a tinham recebido como pouco digna de atenção. Eles próprios poderiam haver encontrado Jesus, e estado preparados para conduzir os magos ao lugar em que nascera; ao invés disso, porém, foram eles que lhes vieram chamar a atenção para o nascimento do Messias. "Onde está Aquele que é nascido Rei dos judeus?" perguntaram; "porque vimos a Sua estrela no Oriente, e viemos adorá-Lo." Mat. 2:2.
Então o orgulho e a inveja cerraram a porta à luz. Fossem acreditadas as notícias trazidas pelos pastores e os magos, e teriam colocado os sacerdotes e rabinos numa posição nada invejável, destituindo-os de suas pretensões a exponentes da verdade de Deus. Estes doutos mestres não desceriam a ser instruídos por aqueles a quem classificavam de gentios. Não poderia ser, diziam, que Deus os passasse por alto, para Se comunicar com pastores ignorantes ou incircuncisos pagãos. Resolveram mostrar desprezo pelas notícias que estavam agitando o rei Herodes e toda Jerusalém. Nem mesmo iriam a Belém, a ver se estas coisas eram assim. E levaram o povo a considerar o interesse em Jesus como despertamento fanático. Aí começou a rejeição de Cristo pelos sacerdotes e rabis. Daí cresceu seu orgulho e obstinação até se tornar em decidido ódio contra o Salvador. Enquanto Deus abria a porta aos gentios, estavam os chefes judeus fechando-a a si mesmos.
Sozinhos partiram os magos de Jerusalém. Caíam as sombras da noite quando saíram das portas, mas, para sua grande alegria viram novamente a estrela, e foram guiados a Belém. Não tinham, como os pastores, recebido comunicação quanto ao humilde estado da Criança. Depois da longa jornada, ficaram decepcionados com a indiferença dos chefes judeus, e deixaram Jerusalém menos confiantes do que nela penetraram. Em Belém, não encontraram nenhuma guarda real a proteger o recém-nascido Rei. Não havia a assisti-Lo nenhum dos grandes da Terra. Jesus estava deitado numa manjedoura. Os pais, iletrados camponeses, eram Seus únicos guardas. Poderia ser Este Aquele de quem estava escrito que havia de restaurar "as tribos de Jacó", e tornar a "trazer os remanescentes de Israel"; que seria "luz para os gentios", e "salvação... até à extremidade da Terra"? Isa. 49:6.
"E, entrando na casa, acharam o Menino com Maria, Sua mãe, e, prostrando-se, O adoraram." Mat. 2:11 Através da humilde aparência exterior de Jesus, reconheceram a presença da Divindade. Deram-Lhe o coração como a seu Salvador, apresentando então suas dádivas - "ouro, incenso e mirra". Que fé a sua! Como do centurião romano, mais tarde, poder-se-ia haver dito dos magos do Oriente: "Nem mesmo em Israel encontrei tanta fé." Mat. 8:10.
Os magos não haviam penetrado os desígnios de Herodes para com Jesus. Satisfeito o objetivo de sua viagem, prepararam-se para regressar a Jerusalém, na intenção de o pôr ao fato do êxito que haviam tido. Em sonho, porém, recebem a divina mensagem de não ter mais comunicações com ele. E, desviando-se de Jerusalém, partem para sua terra por outro caminho.
De igual maneira, recebeu José aviso de fugir para o Egito com Maria e a criança. E o anjo disse: "E demora-te lá até que eu te diga: porque Herodes há de procurar o Menino para O matar." Mat. 2:13. José obedeceu sem demora, pondo-se de viagem à noite, para maior segurança.
Por meio dos magos, Deus chamara a atenção da nação judaica para o nascimento de Seu Filho. Suas indagações em Jerusalém, o despertar do interesse popular, e o próprio ciúme de Herodes, que forçou a atenção dos sacerdotes e rabis, dirigiu os espíritos para as profecias relativas ao Messias, e ao grande acontecimento que acabava de ter lugar.
Satanás empenhava-se em dissipar do mundo a luz divina, e pôs em jogo sua máxima astúcia para destruir o Salvador. Mas Aquele que não dorme nem tosqueneja, velava por Seu amado Filho. Aquele que fizera chover maná do Céu para Israel, e alimentara Elias em tempo de fome, providenciou em terra pagã um refúgio para Maria e o menino Jesus. E, mediante as dádivas dos magos de um país gentílico, supriu o Senhor os meios para a viagem ao Egito, e a estadia em terra estranha.
Os magos estiveram entre os primeiros a saudar o Redentor. Foi a sua a primeira dádiva a Lhe ser posta aos pés. E por meio daquela dádiva, que privilégio em servir tiveram eles! Deus Se deleita em honrar a oferta de um coração que ama, dando-lhe a mais alta eficiência em Seu serviço. Se dermos o coração a Jesus, trar-Lhe-emos também as nossas dádivas. Nosso ouro e prata, nossas mais preciosas posses terrestres, nossos mais elevados dotes mentais e espirituais ser-Lhe-ão inteiramente consagrados, a Ele que nos amou e Se entregou a Si mesmo por nós.
Em Jerusalém, Herodes aguardava impaciente a volta dos magos. Como passasse o tempo, e não aparecessem, despertaram-se nele suspeitas. A má vontade dos rabis em indicar o lugar do nascimento do Messias, parecia mostrar que lhe haviam penetrado o desígnio e que os magos se tinham propositadamente esquivado. Esse pensamento o enraiveceu. Falhara a astúcia, mas restava-lhe o recurso da força. Faria desse Rei-criança um exemplo. Aqueles insolentes judeus haviam de ver o que podiam esperar de suas tentativas de colocar um rei no trono.
Imediatamente foram enviados soldados a Belém, com ordem de matar todas as crianças de dois anos e para baixo. Os sossegados lares da cidade de Davi presenciaram aquelas cenas de horror que, seiscentos anos antes, haviam sido reveladas ao profeta. "Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação, choro e grande pranto; Raquel chorando os seus filhos, e não querendo ser consolada, porque já não existem." Mat. 2:18.
Essa calamidade trouxeram os judeus sobre si mesmos. Houvessem estado nos caminhos da fidelidade e da humildade perante Deus, e Ele haveria, de maneira assinalada, tornado sem efeito para eles a ira do rei. Mas separaram-se de Deus por seus pecados, e rejeitaram o Espírito Santo, que lhes era a única proteção. Não estudaram as Escrituras com o desejo de se conformarem com a vontade de Deus. Buscaram as profecias que podiam ser interpretadas para sua exaltação, e mostraram que o Senhor desprezava as outras nações. Jactavam-se orgulhosamente de que o Messias havia de vir como rei, conquistando Seus inimigos e esmagando os gentios em Sua indignação. Assim haviam despertado o ódio dos governadores. Mediante a maneira por que desfiguravam a missão de Cristo, Satanás intentara tramar a destruição do Salvador; ao invés disso, porém, ela lhes caiu sobre a própria cabeça.
Este ato de crueldade foi um dos últimos que entenebreceu o reinado de Herodes. Pouco depois da matança dos inocentes, foi ele próprio obrigado a submeter-se àquela condenação que ninguém pode desviar. Teve morte terrível.
José, que ainda se achava no Egito, foi então solicitado por um anjo de Deus a voltar para a terra de Israel. Considerando Jesus como o herdeiro de Davi, José desejava estabelecer residência em Belém; ouvindo, porém, que Arquelau reinava na Judéia em lugar de seu pai, receou que o desígnio do pai contra Cristo pudesse ser executado pelo filho. De todos os filhos de Herodes, era Arquelau o que mais se lhe assemelhava em caráter. Já sua sucessão no governo fora assinalada por um tumulto em Jerusalém, e o morticínio de milhares de judeus pelas guardas romanas.
Novamente foi José encaminhado para um lugar de segurança. Voltou para Nazaré, sua residência anterior, e ali, por cerca de trinta anos viveu Jesus, "para que se cumprisse o que fora dito pelos profetas: Ele será chamado Nazareno". Mat. 2:23. A Galiléia estava sob o domínio de um filho de Herodes, mas tinha uma mistura muito maior de habitantes estrangeiros do que a Judéia.

Havia assim muito menos interesse nas questões que diziam respeito especialmente aos judeus, e os justos direitos de Jesus corriam menos riscos de despertar os ciúmes dos que estavam no poder.
Tal foi a recepção feita ao Salvador ao vir à Terra. Parecia não haver nenhum lugar de repouso ou segurança para o infante Redentor. Deus não podia confiar Seu amado Filho aos homens, nem mesmo enquanto levava avante Sua obra em benefício da salvação deles. Comissionou anjos para assisti-Lo e protegê-Lo até que cumprisse Sua missão na Terra, e morresse às mãos daqueles a quem viera salvar.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Parábola do rico e Lázaro


(Lc 16:19-31)

Esta parábola extremamente sé­ria nasceu da zombaria dos fariseus com relação ao ensinamento da pa­rábola que tinham ouvido dos lábios de Jesus (Lc 16:14). Aqueles líderes religiosos possuíam uma vida de luxo, e viviam no amor ao dinheiro e nos prazeres que a riqueza podia comprar. No entanto, zombaram do conselho sobre a melhor maneira de usar os bens materiais em benefício de outras pessoas, de tal forma que conquistassem recompensas eter­nas. O seu dinheiro lhes pertencia e eles não queriam algum conselho de Jesus sobre como usá-lo corretamen­te. Surgiu então essa parábola, a qual ensina sobre o terrível fim da­queles que vivem apenas para satisfazer os seus próprios desejos, peca­minosos e egoístas. Os "bens" (Lc 16:25) que lhes pertenciam seriam muito aproveitáveis no mundo, mas a confiança foi traída e o resultado de uma vida, da qual eles abusaram, levou-os ao inferno.
Inicialmente notamos, como diz Sell, que "esta parábola não deseja­va, como objetivo primário, enfatizar as terríveis consequências pelo abu­so das riquezas e, pela atitude sem coração, do desprezo aos pobres, mas declarar que os homens não podem organizar e harmonizar, obedecen­do aos seus próprios interesses, a reverência a Deus que professam ter e o amor que possuem em satisfazer os seus próprios prazeres; que os valores externos não são indicado­res infalíveis quanto ao caráter; que os critérios de avaliação de Deus são justos e (talvez o mais importante de tudo); que os hábitos, cultivados por muito tempo, acabam fixando o ca­ráter, para bem ou mal, no tempo e na eternidade".
Há alguns escritores que não con­sideram essa narrativa, peculiar a Lucas, uma parábola. Sustentam que não é chamada "parábola", pois apresenta nomes. Nunca são dados nomes em todas as outras parábolas de nosso Senhor. Ele não tinha o cos­tume de inserir nomes em seu ensi­no parabólico. O rico e Lázaro eram personagens reais; possivelmente Cristo os conhecia, e a sua história, nesse mundo e no porvir, é solene­mente localizada por Jesus com o ob­jetivo do proveito moral dos homens em todos os lugares. Abraão, Moisés e o Hades são realidades, não figuras de linguagem. Mas se a narrativa era uma história real, por outro lado os fatos são apresentados em forma sim­bólica e os "símbolos são as sombras projetadas das realidades".
Antes de examinarmos a série de grandes contrastes e suas aplicações, devemos afirmar que o rico não foi para o inferno porque era rico, e nem Lázaro foi para o seio de Abraão por­que era pobre. Há multidões de pes­soas no céu que uma vez foram ri­cas, exatamente como há miríades de pessoas no inferno, que uma vez foram pobres. Nem abundância nem pobreza determinam a condição eter­na de ninguém. Somente o nosso re­lacionamento com Jesus decide a nossa felicidade ou aflição eternas.

O contraste na vida. Que extre­mos na vida social o nosso Senhor apresenta nessa parábola! O "certo homem rico" é conhecido como divas, o termo em latim para "rico". A tra­dição lhe deu o nome de Ninevis, e o seu contraste com Lázaro é o ponto central da narrativa. Esse homem sem nome, até onde a Bíblia fala dele, era rico, pois pertencia a uma família abastada. Não há dúvida de que os seus cinco irmãos, tão ricos quanto ele, formavam todos um dos grupos de magnatas mais ricos das redondezas. Por causa de suas rique­zas, o rico podia vestir-se do melhor que havia, e comer e beber com mui­ta fartura todos os dias.
Embora o rico e sua família fos­sem ímpios, afastados de Deus, nada é dito sobre ele ser totalmente de­pravado. Ele não é apresentado como o culpado de algum pecado notório, ou um monstro da sociedade. Ele não é colocado diante de nós como um ti­rano ou um opressor dos pobres. Se fosse notoriamente egoísta ou sem caridade, jamais teria permitido a Lázaro que ficasse à sua porta, dia após dia, pedindo esmolas. Sem dú­vida ele vivia uma vida luxuosa e cuidava de si mesmo, mas não é con­denado por causa de sua riqueza. Ele foi para o inferno porque não perce­beu que Deus o havia feito o seu pro­curador, com riquezas e influência que poderiam ser usadas para a gló­ria do Todo-Poderoso e o benefício es­piritual e material do seu próximo.
Portanto foi a sua perversidade e não a sua riqueza que lhe trouxe o sofri­mento eterno. O seu egoísmo, não o seu apetite pelas coisas carnais (ne­nhum ato notório de malignidade, mas por deixar de ter Deus como o centro de toda a sua vida), foi que o fez ficar debaixo da condenação da­quele a quem ele devia tudo o que possuía. Não há vícios ou crimes lan­çados em sua conta. O seu pecado foi que ele só vivia para o presente.
Falando agora de Lázaro, ele é notório por ser essa a única vez que Jesus dá um nome a uma persona­gem de sua parábola. Porém, uma parábola pode conter um nome pró­prio (Ez 23:4). Ele podia ser realmen­te um mendigo que Jesus, os discí­pulos e os fariseus conhecessem, mas o significado do seu nome sugere que o objetivo em mencioná-lo foi simbo­lizar a miséria externa de alguém que não tinha qualquer outro auxí­lio senão Deus. Lázaro significa "Deus tem ajudado", ou "Deus é aquele que ajuda". A palavra men­digo traz em si a ideia de pobreza, mais do que de mendigar. Em con­traste com o rico, ele era pobre e nada possuía: o rico se vestia de púrpura e linho fino, e o mendigo com trapos; o rico vivia numa mansão imponente, e o mendigo fora coloca­do à porta daquele casarão, por ami­gos que se condoeram dele; o rico ti­nha um corpo sadio e bem alimenta­do, e o mendigo estava cheio de cha­gas; o rico vivia suntuosamente todos os dias, e o mendigo vivia das miga­lhas que caíam de sua mesa; o rico tinha médicos que cuidavam dele, e os cães lambiam as chagas de Lázaro.
Contudo o mérito de Lázaro não estava no triste fato de ser pobre, incapaz e doente. Um mendigo pode ser tão vil e sujo no coração quanto no corpo. Não, o pensamento precio­so é que enquanto jazia à porta do rico, contemplando com olhos famin­tos as migalhas que lhe traziam, ele aprendeu a estar contente. Como fi­lho de Abraão, ele achou em Deus o seu auxílio. Como um pensionista, dependendo da generosidade divina, ele sabia que o seu pão e a sua água estavam garantidos. No final, ele foi para o Paraíso, não porque era po­bre e doente; mas porque, apesar de sua condição lamentável, ele havia servido a Deus, e encontrado cons­tante auxílio nele. Resta-nos o mis­tério por que foi permitido que um homem bom como Lázaro ficasse tão privado de bens materiais e doente. Se Deus era o seu auxílio, por que ele não foi aliviado de sua miséria? E também por que foi permitido a uma pessoa tão egocêntrica e egoísta, como o rico, que possuísse tamanha rique­za? Essas perguntas não foram res­pondidas por Jesus, que na parábola procurou focalizar a atenção de seus ouvintes sobre a séria lição de que a vida a qual vivemos na terra deter­mina nossa condição eterna.
O contraste na morte. Os dois homens que Jesus apresentou foram tão opostos na morte, quanto tinham sido na vida. Como a morte do men­digo vem primeiro na narrativa, pen­semos primeiro nela. Tudo o que Je­sus disse sobre ele foi: "Morreu o mendigo". Nada é dito sobre o seu funeral. Tão pobre, não tinha condi­ções de deixar algo que pudesse pa­gar um sepultamento decente. Ele teve um funeral ou o seu cadáver doente e magro foi lançado rude e insensivelmente pelos funcionários públicos no campo do oleiro? Nas palavras do hino inglês eles:

Sacudiram os seus ossos
Sobre as pedras;
Ele é apenas um pobre
Que não pertence a ninguém.

Campbell Morgan diz que os mendigos do tipo de Lázaro não eram sepultados. "Quase que inevitavelmente as pessoas apanhavam o corpo desconhecido, sujo, e o car­regavam apressadamente, no início do amanhecer até chegarem a Tofete, Geena, o monte de lixo e refugo que ardiam em fogo, onde o lançavam. Essa era uma realidade conhecida na época, e o próprio fato de que não somos informados sobre Lázaro ter sido sepultado, nos leva a crer que este foi o seu fim". Mas, embora o seu corpo tenha tido um fim desonroso, os anjos vieram e o leva­ram ao Paraíso. Aqueles guardiões angelicais dos justos escoltaram o espírito de Lázaro ao mundo da fe­licidade, pois sabiam o caminho para lá.
Mas com o rico foi diferente. Ele faleceu, como todos têm de morrer, sejam ricos ou pobres, mas "foi se­pultado" e, sem dúvida alguma, teve um funeral imponente, com pranteadores alugados, e todo o es­plendor de aflição que ele tinha con­dições de pagar. No entanto, embo­ra o seu corpo fosse transportado para um túmulo ornamentado com todas as honras devidas, a sua alma estava solitária, quando partiu da terra. Não apareceu uma escolta de anjos para acompanhá-lo às regiões onde estão os abençoados. Ele foi di­retamente para o inferno, a fim de ali suportar o tormento. Para ele, mesmo sendo judeu, não havia uma plenitude de felicidade angelical, um lugar de descanso no seio de Abraão. Todo o esplendor ostensivo do rico não lhe pôde comprar o cavaleiro do cavalo branco, nem assegurar-lhe a felicidade eterna, dalém túmulo. Em sua morte, o rico era mais paupérri­mo do que Lázaro jamais fora. Ele foi para a eternidade, nu, despojado de tudo o que tinha possuído e com a terrível conscientização de que ja­mais possuiria uma herança eterna. Como seria diferente se Deus, e não o ouro, estivesse em primeiro lugar em sua vida!
O contraste na eternidade. Ao vir da eternidade, não havia alguém mais capaz do que o Filho Eterno para abrir o véu que separa o mun­do material do invisível. Com conhe­cimento divino, ele podia falar com autoridade sobre a vida futura. O que então estava implícito em seu uso da figura de linguagem judaica, Hades, que é o termo grego para "in­ferno"? O vocábulo significava o lu­gar dos espíritos que partiram, o mundo não visto dos mortos, tanto bons quanto maus. Esse reino, úni­co e grande, era dividido em duas esferas —o seio de Abraão, ou Para­íso para os justos; e o "inferno", a morada dos injustos. Quando Cristo ressuscitou, procedente do Paraíso e subiu às alturas, levou cativo o ca­tiveiro, o que significa que esvaziou aquele lugar e levou consigo todos os prisioneiros, que viviam na espe­rança, para a casa do Pai. Agora, quando um crente morre —ausente do corpo, ele está presente com o Senhor!
A outra esfera, o Hades —infer­no— permanece e é a morada tem­porária das almas perdidas. Todavia o inferno dará lugar ao Lago de Fogo que será o depositário final de todos os que morreram sem Cristo (Ap 20:14). Estar no "seio de Abraão" sig­nifica encontrar-se perto do santo patriarca, a fim de compartilhar o seu estado de bênçãos. Como um fi­lho de Abraão, Lázaro agora desfru­ta de estar próximo dele como co-herdeiro e companheiro. O rico o con­siderara um rejeitado de Deus, mas no mundo invisível ele é altamente honrado como amigo do pai da fé, a quem Deus chamou de seu "amigo".
O que não se pode negar quando lemos a descrição de nosso Senhor, da vida além, é que seja um estado de existência consciente com o uso contínuo de nossas faculdades. Para Lázaro, o Paraíso era um lugar e um estado de alegria extrema e de comunhão celestial. Para o rico, o in­ferno era o lugar e a condição de re­morso, sofrimento e aflição. Eviden­temente, no Hades, como existia na época em que Jesus proferiu esta pa­rábola, as duas esferas divididas es­tavam próximas uma da outra, por­que o rico podia ver Abraão ao longe e Lázaro perto dele, ao seu lado.
O contraste entre as duas almas que partiram foi dado por Jesus, quando disse que Lázaro "é consola­do e o rico atormentado". A palavra para confortar é parakaleo, da qual temos paracleto, a designação usada para o Espírito Santo, o confortador divino. A palavra significa "chamar para perto", e Lázaro fora chamado para perto de Abraão e de Deus, em quem ele confiara. O rico, atormen­tado, suplicou a Abraão que mandas­se Lázaro aliviar a sua angústia. Isso significa que além do espaço vazio, o qual divide os dois lugares, as vozes podiam ser ouvidas distintamente. Com perfeita inteligência espiritual, Abraão sabia tudo sobre a prosperi­dade do rico, como sobre a miséria de Lázaro, e disse ao primeiro que se lembrasse do passado. E aquela lem­brança constituía o seu inferno e era a chama que o atormentava. O nosso Senhor então prosseguiu e disse que o seio de Abraão era um exemplo que denotava a impossibilidade das almas perdidas irem para o céu, ou dos sal­vos visitarem o inferno. O espaço va­zio é intransponível.
Consciente de sua condenação o rico pediu que Lázaro fosse libera­do por algum tempo, para atuar como evangelista junto aos seus cinco irmãos, que estavam a cami­nho do mesmo lugar de tormento. Ele não suportava a ideia de esta­rem juntos novamente, no inferno. Mas Lázaro, que uma vez fora men­digo, agora companheiro de Abraão, não seria bem-sucedido. Mais tarde outro Lázaro ressusci­tou dentre os mortos. Que efeito a sua ressurreição teve sobre os fariseus ricos e contentes consigo mesmos? Tentaram matá-lo. Por fim Jesus morreu e reviveu, e com que resultado? Aquelas mesmas pessoas não mudaram a sua atitu­de com relação a Cristo, como fi­cou provado pelo seu esforço em matar todos os que o seguiam.
"Têm Moisés e os profetas", que os seus irmãos os ouçam. Nada es­petacular ou milagroso pode causar qualquer efeito sobre as vidas huma­nas, se não crerem em Jesus e obe­decerem à Palavra de Deus. Não te­mos qualquer luz, além da revela­ção divina. O rico pensava que algo sensacional poderia constituir-se num apelo à consciência dos seus cin­co irmãos perdidos. Mas nada, além da revelação dada nas Escrituras do AT, poderia evitar que viessem a di­vidir com o seu irmão a mesma con­denação. Se as parábolas de Lucas 15 falam da misericórdia e compai­xão de Deus com relação ao arrepen­dido, essa que acabamos de analisar apresenta, de forma muito clara, a justiça e a justa indignação com re­lação aos que morreram sem arre­pendimento (Rm 1:18). As grandes lições que ficaram para nós deveri­am ser seriamente consideradas por todos:

O homem não pode servir a dois senhores. Se ele ganha o mundo e perde a sua alma, a sua perda será eterna.
A escolha feita na terra determi­na a vida futura; e essa escolha é definitiva. A sepultura não pode fa­zer qualquer milagre para mudar isso.
A personalidade continua no fu­turo —sentimentos, conhecimento, visão, raciocínio e memória. Essas faculdades nos auxiliarão na nossa felicidade, ou acrescentarão mais dor ao nosso tormento?
O céu e o inferno são reais, e o nosso destino eterno não depende de riqueza ou pobreza, mas do nosso relacionamento com Jesus Cristo, que veio como profetizado por Moisés e pelos homens de Deus como o Sal­vador do mundo.

A Dedicação




Cerca de quarenta dias depois do nascimento de Cristo, José e Maria levaram-nO a Jerusalém, para O apresentar ao Senhor, e oferecer sacrifício. Isso estava de acordo com a lei judaica e, como substituto do homem, Cristo Se devia conformar com a lei em todos os particulares. Já havia sido submetido ao rito da circuncisão, como penhor de Sua submissão à lei.
Como oferta da parte da mãe, a lei exigia um cordeiro de um ano para holocausto, e um pombinho novo ou uma rola como oferta pelo pecado. Mas a lei prescrevia que, se os pais fossem demasiado pobres para levar um cordeiro, seria aceito um par de rolas ou dois pombinhos, um para holocausto, e outro como oferta pelo pecado.
As ofertas apresentadas ao Senhor deviam ser sem mancha. Representavam a Cristo, de onde se conclui evidentemente que Jesus era isento de deformidade física. Era o "cordeiro imaculado e sem contaminação". I Ped. 1:19. Sua estrutura física não era maculada por qualquer defeito; o corpo era robusto e sadio. E, durante toda a vida, viveu em conformidade com as leis da natureza.
Física assim como espiritualmente, Jesus foi um exemplo do que Deus designava que fosse toda a humanidade, mediante a obediência a Suas leis.
A dedicação do primogênito teve sua origem nos primitivos tempos. Deus prometera dar o Primogênito do Céu para salvar os pecadores. Este dom devia ser reconhecido em todas as famílias pela consagração do primogênito. Devia ser consagrado ao sacerdócio, como representante de Cristo entre os homens.
Na libertação de Israel do Egito, a dedicação do primogênito foi novamente ordenada. Quando os filhos de Israel estavam em servidão aos egípcios, o Senhor instruiu Moisés a ir ter com Faraó, rei do Egito, dizendo: "Assim diz o Senhor: Israel é Meu Filho, Meu primogênito. E Eu te tenho dito: Deixa ir o Meu filho, para que Me sirva; mas tu recusaste deixá-lo ir; eis que Eu matarei a teu filho, o teu primogênito." Êxo. 4:22 e 23.
Moisés entregou sua mensagem; mas a resposta do orgulhoso rei, foi: "Quem é o Senhor, para que eu obedeça à Sua voz, e deixe ir Israel? Não conheço o Senhor, e não deixarei ir Israel." Êxo. 5:2. O Senhor operou em favor de Seu povo por meio de sinais e maravilhas, enviando terríveis juízos sobre Faraó. Por fim, o anjo destruidor foi incumbido de matar o primogênito do homem e dos animais entre os egípcios. A fim de que os israelitas fossem poupados, receberam instruções para pôr nas ombreiras da porta de sua casa o sangue de um cordeiro imolado. Cada casa devia ser marcada, para que, quando o anjo viesse, em sua missão de morte, passasse por sobre a dos israelitas.
Depois de enviar este juízo sobre o Egito, o Senhor disse a Moisés: "Santifica-Me todo o primogênito... de homens e de animais; porque Meu é." Êxo. 13:2. "Desde o dia em que feri a todo o primogênito na terra do Egito, santifiquei para Mim todo o primogênito em Israel, desde o homem até ao animal; Meus serão; Eu sou o Senhor." Núm. 3:13. Depois que o serviço do tabernáculo foi estabelecido, o Senhor escolheu a tribo de Levi em lugar do primogênito de todo o Israel, para ministrar no santuário. Entretanto, esses primogênitos deviam continuar a ser considerados como pertencendo ao Senhor, devendo ser reavidos por meio de resgate.
Assim a lei para apresentação do primogênito se tornava particularmente significativa. Ao mesmo tempo que era uma comemoração do maravilhoso libertamento dos filhos de Israel, prefigurava um livramento maior, a ser operado pelo unigênito Filho de Deus. Como o sangue espargido nos umbrais da porta havia salvo o primogênito de Israel, assim o sangue de Cristo tem poder de salvar o mundo.
Que significação, logo, se acha ligada à apresentação de Cristo! Mas o sacerdote não enxergou através do véu; não leu o mistério além. A apresentação de crianças era cena comum. Diariamente o sacerdote recebia o dinheiro da redenção, ao serem as criancinhas apresentadas ao Senhor. Cotidianamente seguia a rotina de sua obra, prestando pouca atenção aos pais ou às crianças, a não ser que notasse qualquer indício de fortuna ou elevada posição dos primeiros. José e Maria eram pobres; e, ao trazerem seu filho, o sacerdote viu unicamente um homem e uma mulher trajados à moda galiléia, e no mais humilde vestuário. Nada havia em sua aparência que atraísse a atenção, e a oferta que apresentaram era a das classes mais pobres.
O sacerdote fez a cerimônia de seu serviço oficial. Tomou a criança nos braços, e ergueu-a perante o altar. Depois de a devolver à mãe, inscreveu o nome "Jesus" na lista dos primogênitos. Mal pensava ele, enquanto a criança lhe repousava nos braços, que era a Majestade do Céu, o Rei da Glória. Não pensou o sacerdote que essa criança era Aquele de quem Moisés escrevera: "O Senhor vosso Deus vos suscitará um Profeta dentre vossos irmãos, semelhante a mim; a Este ouvireis em tudo o que vos disser." Atos 3:22. Não pensou que essa criança era Aquele cuja glória Moisés rogara ver. Mas Alguém maior do que Moisés Se achava nos braços do sacerdote; e, ao inscrever o nome do menino, inscrevia o dAquele que era o fundamento de toda a dispensação judaica. Aquele nome devia ser sua sentença de morte; pois o sistema de sacrifícios e ofertas estava envelhecendo; o tipo havia quase atingido o antítipo, a sombra ao corpo.
O Shekinah  [presença visível de Deus] se afastara do santuário, mas no Menino de Belém encontrava-se, velada, a glória ante a qual se curvam os anjos. Essa inconsciente criancinha era a Semente prometida, a quem apontava o primeiro altar, construído à porta do Éden. Este era Siló, o doador de paz. Fora Ele que Se declarara a Moisés como o EU SOU. Fora Ele quem, na coluna de fumo e fogo, servira de guia a Israel. Este era Aquele sobre quem os videntes haviam predito. Era o Desejado de todas as nações, a Raiz e a Geração de Davi, a Resplandecente Estrela da Manhã. O nome dAquele impotente Menino, inscrito nos registros de Israel, declarando-O nosso irmão, era a esperança da caída humanidade. A Criança por quem fora pago o resgate era Aquele que devia pagar o resgate pelos pecados do mundo. Era Ele o verdadeiro "sumo Sacerdote sobre a casa de Deus" (Heb. 10:21), a cabeça de "um sacerdócio perpétuo", (Heb. 7:24) o intercessor "à destra da Majestade nas alturas". Heb. 1:3.
As coisas espirituais se discernem espiritualmente. No templo, o Filho de Deus foi consagrado à obra que viera fazer. O sacerdote olhou-O como o teria feito a qualquer outra criança. Mas, se bem que não visse nem sentisse nada de extraordinário, o ato de Deus em dar Seu Filho ao mundo não ficou despercebido. Essa ocasião não passou sem que Cristo fosse de algum modo reconhecido. "Havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem era justo e temente a Deus, esperando a Consolação d'Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. E fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que ele não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor." Luc. 2:25 e 26.
Ao entrar Simeão no templo, vê uma família apresentando o primogênito ante o sacerdote. Sua aparência revela pobreza; mas Simeão compreende as advertências do Espírito, e é profundamente impressionado quanto a ser o menino que está sendo apresentado ao Senhor, a Consolação de Israel, Aquele que anelava ver. Ao surpreendido sacerdote, Simeão parece um homem enlevado. A criança fora devolvida a Maria, e ele a toma nos braços e a apresenta a Deus, enquanto sua alma é possuída de uma alegria que nunca dantes experimentara. Ao levantar o Salvador para o céu, diz: "Agora, Senhor, despedes em paz o Teu servo, segundo a Tua palavra; pois já os meus olhos viram a Tua salvação, a qual Tu preparaste perante a face de todos os povos; Luz para alumiar as nações, e para glória de Teu povo Israel." Luc. 2:29-32.
O Espírito de Profecia estava sobre este homem de Deus, e enquanto José e Maria ali permaneciam, admirando-se de suas palavras, ele os abençoou, e disse a Maria: "Eis que Este é posto para queda e elevação de muitos em Israel, e para sinal que é contraditado; (e uma espada traspassará também a tua própria alma); para que se manifestem os pensamentos de muitos corações." Luc. 2:35 e 36.
Também Ana, uma profetisa, entrou e confirmou o testemunho de Simeão a respeito de Cristo. Ao falar Simeão, seu rosto iluminou-se com a glória de Deus, e ela derramou suas sinceras ações de graças por lhe haver sido permitido contemplar o Cristo do Senhor.
Estes humildes adoradores não haviam estudado em vão as profecias. Mas os que ocupavam posições de príncipes e sacerdotes em Israel, conquanto tivessem igualmente diante de si as preciosas declarações dos profetas, não estavam andando no caminho do Senhor, e seus olhos não se achavam abertos para contemplar a Luz da vida.
Assim é ainda. Acontecimentos nos quais a atenção de todo o Céu se acha concentrada, não são discernidos, sua ocorrência passa despercebida pelos guias religiosos e os adoradores na casa de Deus. Os homens reconhecem Cristo na História, ao passo que se desviam do Cristo vivo. Cristo em Sua Palavra, convidando ao sacrifício, no pobre e sofredor que implora auxílio, na causa justa que envolve pobreza e fadiga e censuras, nestas coisas Ele não é hoje mais prontamente recebido do que o foi mil e novecentos anos atrás.
Maria ponderou a vasta e profunda profecia de Simeão. Ao olhar para a criança que tinha nos braços, e relembrar as palavras dos pastores de Belém, enchia-se de grata alegria e iluminada esperança. As palavras de Simeão trouxeram-lhe à mente as proféticas declarações de Isaías: "Brotará um Rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um Renovo frutificará. E repousará sobre Ele o Espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de inteligência, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor. ... E a justiça será o cinto dos Seus lombos." Isa. 11:1-5. "O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz.... Porque um Menino nos nasceu, um Filho se nos deu; e o principado está sobre os Seus ombros; e o Seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da Paz." Isa. 9:2-6.
No entanto, Maria não compreendia a missão de Cristo. Simeão profetizara dEle como uma luz para os gentios, bem como uma glória para Israel. Assim o anjo anunciara Seu nascimento como novas de grande alegria para todos os povos. Deus estava procurando corrigir a estreita concepção judaica da obra do Messias. Desejava que os homens O olhassem, não somente como o libertador de Israel, mas como o Redentor do mundo. Muitos anos, porém, deviam passar antes de a própria mãe de Jesus poder compreender Sua missão.
Maria esperava o reino do Messias no trono de Davi, mas não via o batismo de sofrimento pelo qual esse trono devia ser conquistado. Por meio de Simeão revelava-se que o Messias não teria no mundo um caminho livre de obstáculos. Nas palavras dirigidas a Maria: "Uma espada traspassará também a tua própria alma", Deus, em Sua compassiva misericórdia, dá à mãe de Jesus uma indicação da angústia que já por amor dEle começara a suportar.
"Eis que Este é posto para queda e elevação de muitos em Israel, e para sinal que é contraditado", dissera Simeão. Teriam de cair os que se quisessem erguer novamente. Precisamos cair sobre a Rocha e despedaçar-nos, antes de poder ser elevados em Cristo. O eu tem de ser destronado, abatido o orgulho, se queremos conhecer a glória do reino espiritual. Os judeus não queriam aceitar a honra que se obtém por meio da humilhação. Não receberam, portanto, o Redentor. Ele foi um sinal contra o qual se falaria.
"Para que se manifestem os pensamentos de muitos corações." Luc. 2:35. A luz da vida do Salvador, o coração de todos, desde o Criador ao príncipe das trevas, é manifestado. Satanás tem representado a Deus como egoísta e opressor, como pretendendo tudo e não dando nada, como reclamando o serviço de Suas criaturas para Sua própria glória, e não fazendo nenhum sacrifício em favor delas. Mas o dom de Cristo revela o coração do Pai. Ele testifica que os pensamentos de Deus a nosso respeito são "pensamentos de paz, e não de mal". Jer. 29:11. Declara que, ao passo que o ódio de Deus para com o pecado é forte como a morte, Seu amor para com o pecador é ainda mais forte do que a morte. Havendo empreendido nossa redenção, não poupará coisa alguma, por cara que Lhe seja, se necessário for à finalização de Sua obra. Nenhuma verdade essencial à nossa salvação é retida, nenhum milagre de misericórdia negligenciado, nenhum instrumento divino deixado de ser posto em ação. Os favores amontoam-se aos favores, as dádivas acrescentam-se às dádivas. Todo o tesouro do Céu se acha franqueado àqueles que Ele busca salvar. Havendo coletado as riquezas do Universo, e aberto os recursos do infinito poder, entrega tudo nas mãos de Cristo, e diz: Tudo isso é para o homem. Serve-Te de tudo isso para lhe provar que não há amor maior que o Meu na Terra e no Céu. Sua maior felicidade se achará em Me amar ele a Mim.
Na cruz do Calvário, o amor e o egoísmo encontraram-se face a face. Ali teve lugar sua suprema manifestação. Cristo vivera unicamente para confortar e beneficiar, e, ao levá-Lo à morte, Satanás manifestou a malignidade de seu ódio contra Deus. Tornou evidente que o real desígnio de sua rebelião, era destronar o Senhor, e destruir Aquele por meio de quem o Seu amor se manifestava.
Pela vida e morte de Cristo, também os pensamentos dos homens são trazidos à luz. Da manjedoura à cruz, a vida do Salvador foi um convite à entrega, e à participação no sofrimento. Revelou o desígnio dos homens. Jesus veio com a verdade do Céu, e todos quantos ouviam a voz do Espírito Santo foram atraídos a Ele. Os adoradores do próprio eu pertenciam ao reino de Satanás. Em sua atitude em relação a Cristo, todos manifestariam de que lado se achavam. E assim todos passam sobre si mesmos o julgamento.
No dia do juízo final, toda alma perdida compreenderá a natureza de sua rejeição da verdade. A cruz será apresentada, e sua real significação será vista por todo espírito que foi cegado pela transgressão. Ante a visão do Calvário com sua misteriosa Vítima, achar-se-ão condenados os pecadores. Toda falsa desculpa será banida. A apostasia humana aparecerá em seu odioso caráter. Os homens verão o que foi sua escolha. Toda questão de verdade e de erro, na longa controvérsia, terá então sido esclarecida. No juízo do Universo, Deus ficará isento de culpa pela existência ou continuação do mal. Será demonstrado que os decretos divinos não são cúmplices do pecado. Não havia defeito no governo de Deus, nenhum motivo de desafeto. Quando os pensamentos de todos os corações forem revelados, tanto os leais como os rebeldes se unirão em declarar: "Justos e verdadeiros são os Teus caminhos, ó Rei dos santos. Quem Te não temerá, ó Senhor, e não magnificará o Teu nome? ... Porque os Teus juízos são manifestos." Apoc. 15:3 e 4.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O que significam as palavras de Jesus:




O que significam as palavras de Jesus:
“Se o teu olho escandalizar, arranca-o e atira para longe e se tua mão direita te faz tropeçar, é melhor que se perca um dos teus membros do que todo o teu corpo para o inferno”.  Mat. 5:29,30

É preciso analisar o contexto.

O povo judeu vivia baseado nos seus atos exteriores. Por outro lado, Cristo ensinava que o pecado já começa na mente; entra também pelos olhos, conforme suas palavras que quem olhasse para uma mulher com pensamentos impuros, já adulterou com ela.

Arrancar o olho significa ir além da ação. É preciso controlar nossa vida antes do ato se consumar. Cristo está usando uma metáfora, não para pedir que mutilemos nosso corpo, mas para que controlemos o pensamento.

“Arrancar o olho ou cortar a mão” são expressões para as pessoas guardarem-se do mal, a autonegação cristã e domínio próprio. Os olhos representam o desejo, e a mão a ação.

Em uma análise contextual de Mateus 5 e de toda a Bíblia, verifica-se que em nenhum momento Deus pede para sacrificar partes de nosso corpo para sermos salvos. A Bíblia tem harmonia em sua mensagem, e nada pode ser analisado fora de contexto. A mensagem da Bíblia é que Deus pede de nós obediência e não sacrifício. Veja os textos: I Sam. 15:22; Salmos 51:16 e 17; Isaías 1:11; Mateus 9:13; Hebreus 9:9.

Concluímos então, que seria ilógico termos atitudes de cortar ou tirar qualquer parte do corpo.

Deus tem uma fonte de poder maior que este sacrifício, é o Seu poder.
O apóstolo Paulo diz: “Tudo posso Naquele que me fortalece”. Fil. 4:13

Portanto Deus nos ajuda a vencer as tentações, sem precisar de nos
automutilarmos.

Ele demonstra, por toda a Bíblia, que ninguém precisou fazer isso, pois Ele tem mais de mil maneiras de ajudar os que o amam e guardam os seus mandamentos.

"Hoje vos Nasceu o Salvador"



O Rei da Glória muito Se humilhou ao revestir-Se da humanidade. Rude e ingrato foi o Seu ambiente terrestre. Sua glória foi velada, para que a majestade de Sua aparência exterior não se tornasse objeto de atração. Esquivava-Se a toda exibição exterior.
Riquezas, honras terrestres e humana grandeza nunca poderão salvar uma alma da morte; Jesus Se propôs que nenhuma atração de natureza terrena levasse homens ao Seu lado. Unicamente a beleza da verdade celeste devia atrair os que O seguissem. O caráter do Messias fora desde há muito predito na profecia, e era Seu desejo que os homens O aceitassem em razão do testemunho da Palavra de Deus.
Os anjos maravilharam-se ante o glorioso plano da redenção. Observavam a ver de que maneira o povo de Deus receberia Seu Filho, revestido da humanidade. Anjos foram à terra do povo escolhido. Outras nações estavam embebidas com fábulas, e adorando falsos deuses. À terra onde se revelara a glória de Deus, e brilhara a luz da profecia, foram os anjos. Dirigiram-se invisíveis a Jerusalém, aos designados expositores dos Sagrados Oráculos, e ministros da casa de Deus. Já a Zacarias, enquanto ministrava perante o altar, fora anunciada a proximidade da vinda de Cristo. Já nascido estava o precursor, havendo sua missão sido atestada por milagres e profecias. As novas de Seu nascimento e o maravilhoso significado de Sua missão tinham sido amplamente divulgados. Todavia, Jerusalém não se estava preparando para receber o Redentor.
Com pasmo viram os mensageiros celestiais a indiferença do povo a quem Deus chamara para comunicar ao mundo a luz da sagrada verdade. A nação judaica fora conservada como testemunho de que Cristo havia de nascer da semente de Abraão e da linhagem de Davi; no entanto, não sabiam que Sua vinda se achava agora às portas. No templo, o sacrifício matutino e vespertino apontava diariamente ao Cordeiro de Deus; entretanto, nem mesmo ali havia qualquer preparação para O receber. Os sacerdotes e doutores da nação ignoravam que o maior acontecimento dos séculos estava prestes a ocorrer. Proferiam suas orações destituídas de sentido, e realizavam os ritos do culto para serem vistos pelos homens, mas em sua luta por riquezas e honras mundanas, não estavam preparados para a revelação do Messias. A mesma indiferença penetrava a terra de Israel. Corações egoístas e absorvidos pelo mundo, ficavam impassíveis ante o júbilo que comovia o Céu. Apenas alguns estavam ansiando contemplar o Invisível. A esses foi enviada a embaixada do Céu.
Anjos assistiam José e Maria enquanto viajavam de seu lar, em Nazaré, à cidade de Davi. O decreto de Roma Imperial acerca do alistamento dos povos de seu vasto domínio, estendera-se aos habitantes das montanhas da Galiléia. Como outrora Ciro fora chamado ao trono do império do mundo a fim de libertar os cativos do Senhor, assim César Augusto se tornara o instrumento para a realização do desígnio de Deus em levar a mãe de Jesus a Belém. Ela é da linhagem de Davi, e o Filho de Davi deve nascer na sua cidade. De Belém dissera o profeta: "De ti é que Me há de sair Aquele que há de reinar em Israel, e cuja geração é desde o princípio, desde os dias da eternidade." Miq. 5:2. Mas na cidade de sua real linhagem, José e Maria não são reconhecidos nem honrados. Fatigados e sem lar, atravessam toda a extensão da estreita rua, da porta da cidade ao extremo oriental desta, buscando em vão um lugar de pousada para a noite. Não há lugar para eles na apinhada hospedaria. Num rústico rancho em que se abrigam os animais, encontram afinal refúgio, e ali nasce o Redentor do mundo.
Os homens não o sabem, mas as novas enchem o Céu de regozijo. Com mais profundo e mais terno interesse os santos seres do mundo da luz são atraídos para a Terra. Todo o mundo se ilumina à presença do Redentor. Sobre as colinas de Belém acha-se reunida inumerável multidão de anjos. Esperam o sinal para declarar as alegres novas ao mundo. Houvessem os guias de Israel sido fiéis ao depósito que se lhes confiara, e teriam partilhado da alegria de anunciar o nascimento de Jesus. Mas assim foram passados por alto.
Deus declara: "Derramarei águas sobre o sedento e rios sobre a terra seca." Isa. 44:3 "Aos justos nasce luz das trevas." Sal. 112:4. Os brilhantes raios, que descem do trono de Deus, iluminarão os que andam em busca de luz e a aceitam com alegria.
Nos campos em que o jovem Davi guardara seus rebanhos, havia ainda pastores vigiando durante a noite. Nas horas caladas, conversavam entre si acerca do prometido Salvador, e oravam pela vinda do Rei ao trono de Davi. "E eis que um anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor. E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo, pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor." Luc. 2:9-11.
A essas palavras, visões de glória encheram a mente dos pastores que as escutavam. Chegara a Israel o Libertador! Poder, exaltação, triunfo, acham-se associados à Sua vinda. O anjo, porém, deve prepará-los para reconhecerem o Salvador na pobreza e na humilhação. "Isto vos será por sinal", diz ele: "Achareis o Menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura." Luc. 2:12.
O celestial mensageiro acalmara-lhes os temores. Dissera-lhes como poderiam encontrar Jesus. Com terna consideração para com sua humana fraqueza, dera-lhes tempo para se habituarem à radiação divina. Então, o júbilo e a glória não se puderam por mais tempo ocultar. Toda a planície se iluminou com a resplandecência das hostes de Deus. A Terra emudeceu, e o Céu inclinou-se para escutar o cântico:

"Glória a Deus nas alturas,
Paz na Terra, boa vontade para com os homens." Luc. 2:14.

Quem dera que a família humana pudesse hoje reconhecer este cântico! A declaração então feita, a nota vibrada então, avolumar-se-á até ao fim do tempo, e ressoará até aos extremos da Terra. Quando se erguer o Sol da Justiça, trazendo salvação sob Suas asas, esse cântico há de ecoar pela voz de uma grande multidão, como a voz de muitas águas, dizendo: "Aleluia, pois já o Senhor Deus todo-poderoso reina." Apoc. 19:6.
Ao desaparecerem os anjos, dissipou-se a luz, e mais uma vez cobriram as sombras da noite as colinas de Belém. A mais gloriosa cena que olhos humanos já contemplaram, permaneceu, no entanto, na memória dos pastores. "E depois que os anjos se retiraram deles para o Céu, os pastores diziam entre si: Vamos até Belém, e vejamos o que é que lá sucedeu, e o que é que o Senhor nos manifestou. E foram com grande pressa; e encontraram Maria e José, e o Menino deitado na manjedoura." Luc. 2:15 e 16.
Partindo com grande alegria, divulgaram as coisas que tinham visto e ouvido. "E todos os que o ouviram se maravilharam do que os pastores lhes diziam. Mas Maria guardou todas estas coisas, conferindo-as em seu coração. E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus." Luc. 2:18-20. Não se acham o Céu e a Terra mais distanciados hoje do que ao tempo em que os pastores ouviram o cântico dos anjos. A humanidade é hoje objeto da solicitude celeste da mesma maneira que o era quando homens comuns, ocupando posições ordinárias, se encontravam à luz do dia com anjos, e falavam com os mensageiros nas vinhas e nos campos. Enquanto nos movemos em nossos afazeres comuns, podemos ter bem perto o Céu. Anjos das cortes no alto assistirão os passos dos que vão e vêm às ordens de Deus.
A história de Belém é inexaurível. Nela se acham ocultas as "profundidades das riquezas, tanto da sabedoria como da ciência de Deus". Rom. 11:33. Maravilhamo-nos do sacrifício do Salvador em permutar o trono do Céu pela manjedoura, e a companhia dos anjos que O adoravam pela dos animais da estrebaria. O orgulho e presunção humanos ficam repreendidos em Sua presença. Todavia, esse passo não era senão o princípio de Sua maravilhosa condescendência. Teria sido uma quase infinita humilhação para o Filho de Deus, revestir-Se da natureza humana mesmo quando Adão permanecia em seu estado de inocência, no Éden. Mas Jesus aceitou a humanidade quando a raça havia sido enfraquecida por quatro mil anos de pecado. Como qualquer filho de Adão, aceitou os resultados da operação da grande lei da hereditariedade. O que estes resultados foram, manifesta-se na história de Seus ancestrais terrestres. Veio com essa hereditariedade para partilhar de nossas dores e tentações, e dar-nos o exemplo de uma vida impecável.
Satanás aborrecera a Cristo no Céu, por causa de Sua posição nas cortes de Deus. Mais O aborreceu ainda quando se sentiu ele próprio destronado. Odiou Aquele que Se empenhou em redimir uma raça de pecadores. Não obstante, ao mundo em que Satanás pretendia domínio, permitiu Deus que viesse Seu Filho, impotente criancinha, sujeito à fraqueza da humanidade. Permitiu que enfrentasse os perigos da vida em comum com toda a alma humana, combatesse o combate como qualquer filho da humanidade o tem de fazer, com risco de fracasso e ruína eterna.
O coração do pai humano compadece-se do filho. Olha a fisionomia do pequenino, e treme ante a idéia dos perigos da vida. Anela proteger seu querido do poder de Satanás, guardá-lo da tentação e do conflito. Para enfrentar mais amargo conflito e mais terrível risco Deus deu Seu Filho unigênito, para que a vereda da vida fosse assegurada aos nossos pequeninos. "Nisto está o amor." Maravilhai-vos, ó céus! e assombrai-vos, ó Terra!